quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Consumo excessivo de álcool prejudica memória de jovens em longo prazo


Ingestão exagerada de bebidas alcoólicas causa danos no hipocampo, região do cérebro envolvida na aprendizagem

Depois de uma noite de festa, não é incomum para estudantes universitários acordar com uma lembrança confusa dos acontecimentos da noite anterior. No entanto, se enganam aqueles que pensam que os efeitos prejudiciais do álcool para a memória seja de curto prazo. , o consumo excessivo de álcool pode prejudicar a memória nos jovens por muito tempo depois que a ressaca já se esgotou, talvez devido a danos no hipocampo, uma região do cérebro envolvida na aprendizagem.
 
No estudo, os pesquisadores deram uma série de testes simples de linguagem e de memória a 122 estudantes universitários com idades entre 18 e 20 anos, sendo que cerca de metade deles se auto-identificavam como beberrões. A outra metade também fazia uso de álcool, mas mais moderadamente.
No primeiro teste, por exemplo, os alunos leem as listas de palavras e, em seguida, tentam se lembrar do maior número possível delas em exercícios de dificuldade crescente. Em outro, contaram-lhes duas histórias e pediram-lhes para recontá-las o mais fielmente possível.
Os beberrões tiveram uma performance pior do que o outro grupo em quase todos os testes baseados em palavras, mesmo após os investigadores terem controlado fatores complicadores, tais como histórico familiar de alcoolismo, o uso de maconha e os transtornos mentais. Em comparação com seus pares, os beberrões eram mais facilmente distraídos por novas informações, lembravam de poucas palavras, e mantiveram cerca de 4% a menos das informações nas histórias.
O estudo não prova uma relação de causa e efeito entre consumo excessivo de álcool e a perda de memória. É possível, por exemplo, que os estudantes que têm dificuldades de aprendizado e atenção sejam mais propensos a beber excessivamente, em vez do contrário.
No entanto, dizem os pesquisadores, os resultados sugerem uma "clara associação" entre o consumo excessivo de álcool e dificuldade com tarefas ligadas a regiões particulares do cérebro, especialmente o hipocampo e o córtex pré-frontal. O hipocampo é especialmente vulnerável aos efeitos tóxicos do álcool, eles escrevem.
O Dr. Thomas Hicklin, professor adjunto de psiquiatria clínica e ciências comportamentais da University of Southern California, em Los Angeles, diz que espera que o estudo deixe os estudantes universitários mais conscientes dos riscos não tão óbvios de beber em excesso.
"Este é um tópico importante e um problema multifacetado", diz Hicklin, que orienta muitos estudantes na USC Health Care Clinic. "Há muita pressão dos colegas quando se trata de bebedeira, mas os estudantes precisam proteger seus cérebros".
Se o consumo excessivo de álcool realmente causa danos ao hipocampo - como o estudo sugere - os pesquisadores não têm certeza se o dano é permanente. "Isso não foi estudado", diz Hicklin.
Os autores do estudo, que se baseiam na University of Santiago de Compostela, requerem estudos de longo prazo que acompanhariam grupos de alunos antes e depois de eles começarem (e pararem) a beber em excesso e regularmente. Tais estudos esclareceriam os efeitos do consumo excessivo de bebidas sobre a memória de curto prazo, bem sobre o desempenho acadêmico, escrevem eles
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